sexta-feira, 1 de junho de 2012

Atração Fatal (Fatal Attraction, 1987)




O cinema recentemente assumiu uma posição importante não só no ramo do entretenimento, mas também na dimensão social dos assuntos que são discutidos, porém durante a produção seus responsáveis não têm a mínima ideia de como ele vai ser recebido pelo público, uma prova disso é o filme de Adrian Lyne, Atração Fatal (1987).

Que Glenn Close é motivo para assistir qualquer filme que tenha seu nome na ficha técnica, qualquer cinéfilo que se preze sabe, porém, aqui, ela não é o único motivo para descobrir o filme, seu excelente roteiro e forma como ele é conduzido com extrema segurança por Lyne, são outros motivos suficientes para dar uma olhada.

O filme foi lançado na década de 1980 e toca em diversos assuntos como relação extra-conjugal e família, mas tem um assunto que seus produtores jamais poderiam imaginar que iria chamar tanta atenção, o feminismo. O fato é que o filme traz à tona a realidade da mulher americana independente profissionalmente e solteira em uma época onde as mulheres lutava de forma fervorosa pelos seus direitos em todas as áreas. Só que retratar o tipo de mulher que acabei de citar acima, como uma desequilibrada e psicótica, não agradou nada as fervorosas feministas, levando o discurso em questão a nível nacional, transformando o filme em um célebre exemplar de discussão social.

Comentado tanto por sociólogos quanto por psicanalistas, o filme surge como um belo exemplo do cinema como prática social, espaço aberto para trazer à tona tabus engessados por uma sociedade ainda pouco evoluída quando o assunto é a categoria Mulher.

Só para finalizar, Glenn Closse é extremamente hábil ao não transformar Alex Forrest em uma vilã sem escrúpulos. Em todo momento vemos a personagem como alguém completamente alheia aos atos cruéis que comete, ciente de que aquilo é para o bem de todos, o que reforça ainda mais o seu desequilíbrio psicológico. No fundo, Alex Forrest não chega nem perto de ser o exemplo da mulher contemporânea como todos afirmavam cheios de medo, mas é uma mulher única, que representa somente a natureza cruel de alguém que recebeu pouca atenção na vida.

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